Cá estou, novamente, para traduzir meu espanto e piedade em palavras.
Percebo que tudo isto me parece uma ousadia matemática da natureza, transformada em reação maléfica.
A multiplicação das catástrofes pelo mundo faz-me andar pelas nuvens, encontrar Deus e o “bom dia” de cada morador da pacata cidade em que habito e me vangloriar por isso. Faz-me observar que as minhas queixas quanto ao meu “mundinho” isolado são apenas azeitonas dentro de uma enxurrada de conflitos intensos que vivem nossos irmãos.
Os “olhinhos puxados” e donos de uma etnia próspera e que fez história, sofre a dor da perda, da inglória, da maluquice e da instabilidade da “Mãe Natureza”. Seria justa mais essa sofreguidão com nossos irmãos orientais, depois da inigualável destruição de Hiroshima e Nagasaki, cuja diferença foi ter sido provocada pela mão humana. Seria uma revanche? Que confusão!
As imagens, nuas e cruas, exibidas pelas emissoras de televisão são colírios para nossos olhos, cuja gota, ao tocar a camada colorida de nosso olho, rejeita, dói, aperta, inflama, até uma possível cura.
As vidas contadas em coletividade, sem a procura DAQUELE ou DAQUELA pessoa. Todos são tratados como indigentes e desaparecidos... pessoas que fizeram história na vida de outras.
Agora, imaginem: Você constrói sua vida com muito trabalho e suor e teve que dizer “adeus” às coisas e pessoas mais importantes dela.
O mundo para! Estático, boquiaberto, mudo e à mercê de novos tempos. Socorrei-os divino estas pessoas que não conheço, a não ser por suas dores e sofrimentos.
Por mais agradável que seja para mim escrever, escrever, amar a língua portuguesa, espero não mais direcionar e-mails contendo textos como estes: de tristeza, de perda, de dor...
Abraços!!!
Uffah!
Luiz Fernando Guarnieri Passos
Março 2011
